terça-feira, 18 de abril de 2017

UM MUNDO SE ABRE



          Minha mulher me mandou a fotografia abaixo, dizendo – tu que gostas de escrever, veja esta foto. Tem um mundo para imaginar, descrever e pensar sobre os elementos nela retratados. Um desafio e tanto!



          Pela imagem podemos ver em primeiro plano uma escultura em pedra. Uma figura feminina em posição fetal. Mais ao fundo, noutro plano, vê-se um peitoril de uma janela de tijolos a vista, uma moldura de reboco, em vermelho pagode. Na moldura vermelha, uma orquídea lilás, no alto um pequeno vaso achatado de parede, tudo preso a um suporte de madeira.

           No peitoril da janela um vaso azul, que pode ser de argila, à direita, com uma orquídea que tem várias hastes com folhas e principia a florescer. Flores amarelas bem miúdas. Explodindo em beleza, derramando cores e graciosidade nos próximos dias. 

           Ainda na janela, parcialmente fotografada, na posição à esquerda, alguns candeeiros ou lamparinas, usadas para decorar, provavelmente de procedência chinesa, tudo a ver com o vermelho predominante.

           Na janela ainda se pode ver parte da esquadria em madeira, na cor canela, o vidro da vidraça refletindo a paisagem circundante e isto tudo sobreposto por uma grade de ferro, cuja cor lembra zarcão anti-ferrugem.

          Onde minha mulher quis chegar? Onde estará a tal profundidade, o mundo que se abre, que ela propalou? Estará nas cores? Nas flores? Nos elementos vivos e mortos do quadro? Sabendo, mis ou menos, o que ela pensa, acho que ela se refere a aparente contradição, ou combinação, de elementos naturais e artificiais? A vida. A morte. Passado, presente, futuro?

          Pode ser também a contraposição, (ou será fusão?) do lado de fora e o lado de dentro. Explico melhor: Os elementos externos à janela e à parede, o vaso, as flores, as lamparinas, a orquídea, e o lado interno, no caso a paisagem capturada? É um mundo a desafiar. Metaforicamente o ambiente externo, - por definição livre, está preso, refletido na vidraça, atrás das grades.

          Será que é a metáfora da liberdade e da vida?
            
Porto Alegre, 14 de março de 2017.
Jorge Luiz Bledow

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