sábado, 26 de maio de 2018

OS TANQUES E A DEMOCRACIA


      Nos postos de abastecimento os tanques estão vazios. Muitos carros nas garagens de tanques vazios. Os poucos veículos nas ruas estão com o combustível na reserva. O povo está administrando a paciência na reserva. E os tanques nos quartéis estão sendo abastecidos.

    O povo clama pelos tanques, estes ou aqueles? Nunca tanques e democracia estiveram tão interligados. Tão dependentes um do outro. Visceralmente conectados.

Seriam tanques e “tanques”?  Ou “tanques” e tanques? Não é mero exercício de retórica. È dependência total. É sobrevivência. Ligação umbilical.

      Democracia ou “democracia”? Não isso não. Democracia é genuína, sem aspas, sem segundas intenções. Se não for transparente essa conquista da humanidade (a Democracia para deixar bem claro), não funciona. Está num frágil equilíbrio. Pesos e contrapesos em suspensão. Cada um coloca a sua pedrinha, seu tijolinho, sua opinião (assim como faço agora), na construção do edifício democrático. Isso leva tempo. O equilíbrio é no fio da navalha (sem trocadilho, por favor) e se alguém puxar um bloquinho da base, tudo pode vir abaixo tal qual um castelo de cartas.

      Se o edifício da democracia ruir, não sobra pedra sobre pedra. A construção tem que começar pela base. Tudo de novo e haja paciência. E conversa. E haja paciência. E diálogo. E haja paciência. Nova caminhada. Já não há paciência. Tem gente querendo apagar o incêndio com gasolina (com trocadilho).

     A solução? Difícil. Que venham os tanques cheios de combustível.

    Mas então, o que fazemos? Por hora deixemos os tanques de lado e tratemos com carinho a nossa frágil criança,

      A Democracia está na UTI e precisa de cuidados!
 
Porto Alegre, 26  de maio de 2018.
Jorge Luiz Bledow
E-mail: bledow@cpovo.net

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Eu e minha Mãe


Sou o mais velho entre seis irmãos. Dois homens e depois quatro meninas. Acho, ou reconheço, que sempre fui o preferido da mamãe. Primeiro filho, primeiras experiências. Nasci com parteira em casa, no tempo em que não havia fraldas descartáveis. Só se usava cueiros e faixas laváveis. Pomadas? Claro que não, nata fresca e maisena para proteger assaduras, decerto.

Tento imaginar o trabalho que minha mãe teve comigo. Isso tudo há sessenta anos. Morando na casa da sogra deve ter passado por poucas e boas!

Lembro quando nasceram minhas irmãs. A primeira eu tinha cinco anos de idade e meu irmão três. Depois nasceram outras três meninas. A mais nova quando eu tinha quinze anos.  Sempre trabalhando na roça, ajudando, ou melhor, ombreando com meu pai, minha mãe ainda fazia todo trabalho de casa. Escutava novelas no rádio na hora de fazer almoço. As vezes queimava o arroz. Mas a comidinha era gostosa demais. Fazia pão de milho no forno a lenha. Tirava o leite das vacas, varria o pátio, areava panelas.

Dias de chuva, enquanto os homens jogavam canastra no bolicho, mamãe costurava roupas, preparava  palha de milho para encher os colchões. Penas de marreco para travesseiros e cobertas. Limpava a casa, passava roupas, quanta coisa...

Cuidava os filhos é claro. Quando fui à escola era ela quem repassava os temas comigo à noite usando lampião de querosene. Aliás, quem levantava primeiro pela manhã era minha mãe. Fazia fogo e punha a chaleira com água para, mais tarde, meu pai preparar o chimarrão.

Agora minha mãe está com oitenta e dois anos de idade. Boa de memória. – “Eu não sou caduca”, ela diz. Se atrapalha as vezes. Não lembra de todos os fatos recentes. Repete histórias. Está com problema no joelho e tem dificuldades no caminhar. Mas o importante é que está viva e presente.

Obrigado Mãe por tudo que fizeste e ainda faz por nós!

Não conseguiremos lhe devolver 1%. Não estás caduca não, você é uma Santa!
Nós te amamos e queremos tua companhia por muito tempo ainda.

Obrigado! Saúde a Paz!

Que Deus abençoe todas as nossas Mães. Que Deus abençoes as nossas mães.

P.S. Desculpem ter relatado a minha história particular. Acho que serve para muitos.

Jorge Luiz Bledow ,
 Porto Alegre, 13 de maio de 2018.
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