sexta-feira, 20 de abril de 2018

EU SOU UM CHATO


Cheguei a uma conclusão: Eu sou um chato!

Vais me dizer – e tu não sabias?

- Saber, saber mesmo, eu não sabia. Desconfiava.

Mas agora eu sei. Não tenho mais dúvidas disso.

Sou chato, muito chato quando a pessoas comentam as novelas, ou falam do BBB, eu nunca sei de nada. Não assisto novelas e muitos menos BBB.

A mesma coisa acontece em relação a música. Não gosto de rap. Detesto funk. Odeio sertaneja universitária. Ou seja: tudo que está na moda acho um lixo.

Acho de mau gosto a música da Anita. Não curto Pablo Viltar.

Sou um chato mesmo. Um chato qualificado. Um chato de galochas, como se dizia há alguns anos.

Li uma pesquisa que dizia que entre os 20 livros mais vendidos no Brasil em 2017, estão Felipe Neto, Augusto Cury, Rita Lee e Rupi Kaur. Sabem duma coisa? Não li nenhum desses livros. Aliás, alguns desses autores eu não conheço. Portanto, mais uma vez preciso afirmar: sou um chato. Mas muito chato mesmo!

Candidato para presidente da república? Eu ainda não tenho. Para mim ainda não surgiu o cara que merece meu voto. Não está na direita, nem na esquerda e muito menos no centro. Eu sei claro, não precisa me dizer (lembre-se sou chato), que anular o voto ou votar em branco não conta. Não entra nos votos válidos. Mas eu ainda não sei em quem votar. Nenhum dos nomes postos me atraem por enquanto. Estou esperando algo melhor. Será que teremos?

Acho legal quando a pessoa não tem dúvidas, sobre tudo, sobre qualquer assunto, e está convicta em quem votar. Eu não sei. Sou cheio de dúvidas. Sou chato.

Também não retuíto mensagens que todo mundo manda sem ler, aquelas com observação: compartilhe. Leio, geralmente, e não passo prá frente de vergonha. Sempre acho que é fake. Desconfio de tudo. Sou um chato.

Viver na dúvida é viver na incerteza. Na insegurança. Não gostar daquilo que, aparentemente, a maioria gosta, é ser um outsider. Um fora de lei. Fora da curva. Ou um alienado, quem sabe.

Sou tenho certeza de uma coisa: sou um chato!

Porto Alegre, 19 de abril de 2018.
Jorge Luiz Bledow
E-mail: bledow @c

povo.net

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

2018 COMEÇOU ANTES



Antes do carnaval recebi algumas mensagens, nas redes sociais, criticando. Diziam que com a crise estabelecida no país, era um desperdício parar quatro dias para festejar. Que o povo deveria trabalhar para produzir e não folgar. Eu, para deixar bem claro, não sou folião. Acompanho tudo no sofá. Assisto parte dos desfiles pela televisão e acho maravilhoso. Brinquei alguns carnavais no tempo do verde e branco, do vermelho e branco, mas atualmente não tenho ânimo para tanto. Aliás, talvez no ano que vem, desfile na Salgueiro.

    Voltando às redes sociais, acho, ou melhor, estou certo que para algumas cidades o carnaval é um grande negócio. O melhor exemplo é o Rio de Janeiro, cidade mais turística do Brasil, onde entre as grandes atrações, está o desfile da Marques do Sapucaí. O que seria dos cariocas sem as Escolas de Samba? É evidente que financeiramente dá lucro para o município. Todos ganham com isso, sem contar a autoestima e a divulgação mundo afora. O mesmo vale também para o futebol. Portanto, sou plenamente favorável ao carnaval e ao esporte por tudo isso. E mais: O povo quer, o povo precisa se divertir, então deixa o povo festear.

      Todo ano se ouve o velho bordão: “O ano de fato só começa depois do carnaval!”. Pois bem neste ano foi diferente. Começou na Marques de Sapucaí quando a Paraíso do Tuiuti fez o protesto na passarela, estimulou-se o senso crítico de todos. Não que eu aprove tudo, aliás, concordo com a crítica. Mas acho que faltou um dos lados. Quando a grande campeã Beija-Flor se derramou na passarela em tom político, encenando nosso cotidiano. quem estava na Sapucaí ou assistindo pela TV, se engajou, se posicionou, contra ou a favor – a maioria eu acredito - neste momento o ano começou de fato.

      Certamente ouve exageros e mau-gosto em alguns locais, sempre haverá, segundo a minha ótica extremamente parcial e limitada - confesso. Mas, depois dessa lição, desse tapa no rosto, dessa verdade nua e crua, escancarada em pleno desfile, não dá para dizer que o carnaval é o ópio do povo!

       O ano de 2018 de fato começou antes.

Porto Alegre, 16 de fevereiro de 2018.
JORGE LUIZ BLEDOW – Eng Cv

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